Qual o ciclo do mosquito Aedes Aegypti?

18/04/2019 18:24

O ciclo de vida do mosquito Aedes aegypti compreende quatro fases: ovo, larva, pupa e adulto. Os ovos são depositados em condições adequadas, ou seja, em lugares quentes e úmidos, preferencialmente depositados em lugares próximos a linha d’água, em recipientes como latas e garrafas vazias, pneus, calhas, caixas d’água descobertas, pratos sob vasos de plantas dentro ou nas proximidades das casas, apartamentos, hotéis, ou em qualquer local com água limpa parada. Apesar disso, alguns estudos apontam focos do mosquito em água suja também.

O macho alimenta-se de seivas de plantas. A fêmea, no entanto, necessita de sangue humano para o amadurecimento dos ovos, que são depositados separadamente nas paredes internas dos objetos, próximos a superfícies de água, local que lhes oferece melhores condições de sobrevivência.

 

O que é o mosquito Aedes Aegypti?

Aedes aegypti é o nome científico de um mosquito ou pernilongo que transmite a dengue, febre amarela urbana, além da zika e da chikungunya, doenças chamadas de arboviroses. Possui uma característica que o diferencia dos demais mosquitos, que é a presença de listras brancas no tronco, cabeça e pernas.

Aedes aegypti não é um mosquito nativo. Originário da África, já foi eliminado do Brasil na história do controle da dengue em 1955, retornando em 1976 por falhas de cobertura de ações do controle. Provavelmente teve sua reintrodução por meio de fronteiras e portos e alcança altas infestações em domicílios localizados em regiões com altas temperaturas e umidades, principalmente na época chuvosa e quente (verão), típica de países tropicais como o Brasil. 

IMPORTANTÍSSIMO: A dificuldade do controle do mosquito no Brasil é a não uniformidade do cumprimento das diretrizes do programa de controle da dengue, zika e chikungunya em todos os municípios, além da incapacidade da vigilância epidemiológica e entomológica em eliminar todos os focos (criadouros) possíveis existentes em todas as regiões de todas as cidades brasileiras. Por isso, a participação social é fundamental. É necessário que cada um faça sua parte, eliminando todos os possíveis focos de proliferação do mosquito.

Quais períodos do ano mais favoráveis para surtos de Aedes Aegypti?

Os maiores casos e epidemias das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti ocorrem no período das chuvas, de outubro a março, em razão das condições ambientais estarem mais propícias ao desenvolvimento dos ovos. No entanto, é importante manter higiene e ter cuidado com todos os locais que podem acumular água parada em qualquer época do ano, pois os ovos são resistentes a dessecação e podem sobreviver no meio ambiente 450 dias, bastando pouca quantidade de agua como uma pequena poça para que haja a eclosão das larvas.

Essa é a forma de prevenção mais efetiva e depende, principalmente, da população.

O Aedes Aegypti pode sobreviver e transmitir doenças em qualquer época do ano?

Sim, o mosquito sobrevive e pode transmitir arboviroses em qualquer época do ano. Porém, o aumento do número de casos ocorre nos meses mais quentes e chuvosos pela maior eclosão de larvas, maior disponibilidade de pequenas ou médias acumulações de água nos criadouros diversos e aumento do número de mosquitos adultos.

Quais são as pessoas mais suscetíveis às doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti?

A susceptibilidade aos arbovirus é universal. No entanto, fatores de risco individuais, tais como idade, etnia, presença de outra doenças na pessoa e infecção secundária podem determinar a gravidade da doença. Crianças mais novas, particularmente, podem ser menos capazes que adultos de combater os vírus e, consequentemente, têm maior risco e choque por dengue, principalmente. Grupos de pessoas que possuem piores condições socioeconômicas e que vivem em lugares com pior qualidade ambiental também podem ser mais susceptíveis devido a quantidade maior de criadouros para o desenvolvimento das larvas do mosquito, que acontece basicamente em locais onde se acumula água parada.

Quais as regiões mais suscetíveis ao desenvolvimento do mosquito Aedes Aegypti?

A distribuição do mosquito Aedes Aegypti é em toda faixa tropical do globo terrestre. Cidades bastante urbanizadas. Locais onde haja o crescimento urbano desordenado com maior número de imóveis ocupados por borracharias, depósitos de materiais de reciclagem, oficinas mecânicas, que possuem menor renda per-capita, que vivem em bairros com maior proporção de ruas sem pavimentação. Locais com maior quantidade de criadouros como piscinas, caixas d’agua parcialmente tampadas, lixos, garrafas, pneus e sucata a céu aberto.

Quais são as doenças que o mosquito Aedes Aegypti pode transmitir?

O mosquito Aedes aegypti é transmissor de algumas doenças, conhecidas como arbivorses. É importante ressaltar que somente os mosquitos infectados transmitem a doença.

As principais doenças transmitidas pelo Aedes aegypti são:

  • Febre Amarela: febre alta, mal estar, dores musculares, dor de cabeça e calafrios.
    Acesse a página temática de Febre Amarela

  • Dengue: febre alta súbita, dor de cabeça e dor no corpo e articulações, náuseas e vômitos, também podem haver manchas vermelhas no corpo e coceira.
    Acesse a página temática de Dengue

  • Zika: recente no Brasil e que tem provocado muita preocupação, principalmente nas gestantes, pelo fato de estar sendo associada às ocorrências de microcefalia em recém-nascidos.Sintomas: febre não muito alta, dor de cabeça, dor nas articulações, manchas vermelhas no corpo com coceira, vermelhidão nos olhos e cansaço, em algumas pessoas pode não ter nenhum sintoma.
    Acesse a página temática de Zika

  • Chikungunya: doença que ocorre junto com a dengue e cujos sintomas se confundem: febre alta súbita, dor de cabeça constante, manchas vermelhas no corpo com coceira intensa e dor forte nas articulações com inchaço.
    Acesse a página temática especializada de Chikungunya

Telessaúde - Combate ao Aedes Aegypti

Os agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias e os militares têm um novo canal de informações para o combate ao Aedes aegypti: o telefone 0800 645 3308. O serviço oferece suporte para esclarecimento de dúvidas sobre identificação de focos do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e Zika, além da mobilização da população para o enfrentamento ao vetor. Para médicos e enfermeiros da Atenção Básica, incluindo os participantes do Programa Mais Médicos, o atendimento é feito pelo 0800 644 6543, por meio do registro de identificação profissional e da Unidade Básica de Saúde que o profissional está vinculado. Neste número, são reforçadas as orientações sobre a utilização de serviços de saúde para o atendimento aos casos suspeitos e demais orientações para população sobre diagnóstico e tratamento das doenças causadas pelo mosquito e a microcefalia, além de outras dúvidas clínicas. O esclarecimento pelo 0800 ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h30, pela central Telessaúde, que integra o Programa Telessaúde Brasil Redes do Ministério da Saúde.

MITOS E VERDADES SOBRE O MOSQUITO AEDES AEGYPTI E ARBOVIROSES

Citronela, andiroba e óleo de cravo: estes produtos funcionam para afastar o mosquito Aedes aegypti?

Essas alternativas não são totalmente ineficazes, mas elas não garantem o resultado que as pessoas esperam com relação ao Aedes aegypti. O indicado é observar o que o Ministério da Saúde recomenda: tirar 10 minutos do tempo de cada um, e o próprio cidadão inspecionar a sua casa, verificar se não há nenhum depósito com a água parada, depósitos expostos à chuva ou qualquer objeto que possa acumular água.

O mosquito Aedes Aegypti só pica de dia?

Aedes aegypti tem hábitos diurnos, no interior da residência ele pode ser encontrado, preferencialmente, em locais sombreados e escuros, como por exemplo, atrás da geladeira, atrás das cortinas, atrás do guarda-roupa. O Aedes pode se alimentar de sangue humano durante o dia inteiro. O cidadão deve arejar a casa, abrir as janelas, ventilar o ambiente, pois o inseto tem fotofobia - aversão à luz -. Assim, recomenda-se manter a casa diariamente arejada e clareada. Mas, atenção: se existir algum espécime do vetor dentro de casa, em que o morador passe o dia inteiro fora e inexistir fonte de alimentação, pode ocorrer do Aedes aegypti picar no período da noite. Ele é um mosquito inteiramente adaptado e adaptável ao meio urbano. Comumente, ele pica durante o dia, mas dependendo da necessidade e do ambiente, ele pode picar a noite também.

O mosquito Aedes Aegypti já nasce infectado pelas doenças que transmite?

O mosquito pode apresentar partículas virais, no entanto, a carga não é suficiente para infectar outras pessoas. Ele se infecta ao picar um ser humano em seu período de viremia, em que o paciente apresenta os primeiros sintomas, e geralmente dura uma semana.

O mosquito Aedes Aegypti  se reproduz apenas em água limpa?

Isso é um mito! Nos últimos 20 anos vem ocorrendo um processo de adaptação biológica no vetor. Hoje, com os altos índices de infestação, a probabilidade da adaptação é alta. Atualmente já encontramos Aedes em fossas, cisternas, boca de lobo, ou seja, depósitos que antes não eram explorados pelo mosquito vêm sendo utilizado para postura dos ovos. É possível encontrar o Aedes aegypti na água suja sim.

O mosquito Aedes Aegypti pode transmitir o vírus HIV?

Não. Até o presente momento o Aedes aegypti transmite, comprovadamente, dengue, febre amarela urbana, Zika e chikungunya.

O mosquito Aedes Aegypti pica em áreas da zona rural?

Não há registro de grandes infestações ou infestação considerável de Aedes aegypti em área rural neste local há outro Aedes, o Aedes albopictus.

Recomendações gerais para viajantes no combate ao aedes aegypti

Independente do destino ou motivo da viagem é importante que o viajante adote medidas para reforçar a proteção contra o mosquito Aedes aegypti, como utilizar repelentes, manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa de manga comprida etc.

No caso de viagens, as recomendações para prevenir as doenças causadas pelo mosquito da dengue (aedes aegypti) são essas:

  • Ao chegar ao seu local de hospedagem (hotel, pousada, albergue e outros), verifique cuidadosamente se há algum criadouro do mosquito e elimine-o;
  • O risco de infecção por dengue, Chikungunya e vírus Zika podem ser reduzidos, se forem evitadas as picadas.
  • Hospede-se em locais que disponham de telas de proteção nas portas e janelas, especialmente se estiver longe das capitais, ou leve o mosquiteiro/cortinado como alternativa;
  • Em passeios eco turísticos, utilize roupas que protejam o corpo contra picadas de insetos e carrapatos, como camisas de mangas compridas, calças, meias e sapatos fechados;
  • Aplique repelente nas áreas expostas da pele, seguindo a orientação do fabricante;
  • Pessoas infectadas com os vírus Zika, chikungunya ou dengue são o reservatório de infecção para outras pessoas, tanto em casa como na comunidade. Portanto, a pessoa doente, deve seguir as medidas de proteção, evitando a propagação da doença.

No caso das gestantes, o Ministério da Saúde recomenda que elas façam um pré-natal qualificado e todos os exames previstos nesta fase, além de relatarem aos profissionais de saúde qualquer alteração que perceberem durante a gestação. É importante reforçar que, em qualquer situação, as gestantes precisam consultar seu médico antes de viajar e que é necessário um cuidado especial em viagens. Medidas de prevenção pessoal para gestantes e mulheres em idade fértil com possibilidade de engravidar:

  • Evite ambientes com presença de mosquitos, sem as medidas de proteção recomendadas;
  • Sempre que possível utilize roupas que protejam a maior parte possível da superfície da pele;
  • Os repelentes à base de DEET, icaridin, ou picaridin e IR 3535ou EBAAP, são considerados seguros para uso durante a gestação;
  • Se houver qualquer alteração no seu estado de saúde, comunique o fato aos profissionais de saúde para acompanhamento da gestação;
  • Antes de fechar a casa para viajar, verifique cuidadosamente se há algum criadouro do mosquito e elimine-o.
  • Pessoas infectadas com os vírus Zika, Chikungunya ou Dengue são o reservatório de infecção para outras pessoas, tanto em casa como na comunidade. Portanto, a pessoa doente, deve seguir as medidas de proteção acima citadas. Evitando a propagação da doença.
 
 

 

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