Irrigação: relação entre solo, água, clima e planta.

22/01/2017 20:29

A quantidade de ar presente no solo está inversamente relacionada com a quantidade de água existente nele, pois tanto a água quanto o ar ficam no espaço poroso do solo.

Após a chuva ou a irrigação, parte da água fica retida nos poros para ser posteriormente utilizada pelas plantas. Foto: reprodução

Todas as plantas absorvem água e nutrientes do solo. O solo é um sistema composto por uma parte sólida e outra porosa. A parte sólida é formada por minerais que se agrupam , constituindo os agregados. No interior dos poros, existem ar e água. Após a chuva ou a irrigação, parte da água fica retida nos poros para ser posteriormente utilizada pelas plantas. Por isso, para que elas se desenvolvam bem, é necessário haver no solo, além dos nutrientes, água e ar em quantidades adequadas.

“A quantidade de ar presente no solo está inversamente relacionada com a quantidade de água existente nele, pois tanto a água quanto o ar ficam no espaço poroso do solo. Desta forma, quanto mais água existir nos poros menor será a quantidade de ar”, afirmam Rubens de Oliveira e Márcio Mota Ramos, professores do curso Irrigação em Frutíferas, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas.

A capacidade de campo corresponde à umidade do solo em que as plantas encontram condições mais favoráveis de água e ar para se desenvolverem. Mas, as plantas se encontram em um processo contínuo de absorção de água e nutrientes. Sendo assim, para manter o solo sempre com umidade na capacidade de campo, seria necessário irrigar com alta frequência, praticamente todos os dias, exceto em ocasiões de chuva. No entanto, esta é uma prática que aumenta os custos de implementação e de operação e manutenção do sistema de irrigação.

Capacidade de Campo (CC)

A retenção de água nos solos está inversamente relacionada com os diâmetros de seus poros. Por isso, os solos argilosos retêm mais água que os arenosos, pois apresentam maior maior volume de poros de menor diâmetro.

Irrigação

Para manter o solo sempre com umidade na capacidade de campo, é preciso irrigá-lo com frequência 

Existem dois métodos para a determinação da umidade correspondente à capacidade de campo (CC) de um solo: o método de campo e o método de laboratório. O método de campo consiste em construir um pequeno dique, com altura em torno de 20 cm, circundando uma área de 3m x 3 m. Deve-se demarcar uma subárea central de 1 m² e proceder a saturação do solo, cobrindo-o em seguida com uma lona de polietileno para minimizar a perda por evaporação ou o ganho por precipitações pluviométricas.

Diariamente, após a saturação do solo, faz-se a retirada de amostras em três locais na subárea central, em camadas de 10 cm, até à profundidade desejada. As amostras devem ser acondicionadas em recipientes próprios e devidamente identificadas. Em seguida, estas devem ser levadas para o laboratório, colocadas em estufa por 24 horas, na temperatura de 105- 110ºC, para a determinação da umidade.

Já o método prático é trabalhoso e demorado de ser executado. Por isso, a determinação da capacidade de campo, usualmente, é feita utilizando-se a curva de retenção de água, determinada em laboratório. Com a curva de retenção, você poderá também obter o Ponto de Murchamento, além de poder utilizá-la no manejo da irrigação.

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Para cada tipo de solo, existe um valor de umidade, a partir do qual as plantas não conseguem mais retirar água do solo, em quantidade suficiente, para manter as condições mínimas de sobrevivência. Este valor corresponde ao ponto de murchamento. Sua determinação no campo é também trabalhosa e demorada, sendo, portanto, mais comum a sua determinação em laboratório.

O método prático consiste em cultivar girassóis em vasos fechados. As plantas são submetidas a estresse hídrico (não são irrigadas por um longo período). Quando as folhas inferiores murcharem, as plantas são colocadas em câmara úmida e escura até que a turgidez seja restabelecida para serem novamente expostas à luz. Este processo se repete até as folhas não recuperarem a turgidez. Quando isto acontece, determina-se a umidade do solo do vaso, a qual corresponderá à umidade de ponto de murchamento.

Densidade Aparente (Dap)

A densidade aparente (Dap) também é um parâmetro que varia com o tipo de solo. Para determiná-la, você precisará utilizar um trado especial, chamado UH Land, que possui um cilindro metálico externo, interligado a um tubo de ferro. Dentro do cilindro, existem anéis metálicos de volume conhecido. Existe ainda um batente metálico que é utilizado para cravar o cilindro no solo.

O cilindro é cravado no solo, na profundidade desejada, deixando o batente cair sobre a extremidade superior do tubo do amostrador. Depois, solta-se o cilindro externo e retiram-se os anéis contendo o material de solo. Utilizando-se uma lâmina cortante, por exemplo, uma faca, retira-se o excesso de solo do anel de amostragem nas suas faces superior e inferior. Este anel contendo a amostra de solo é então colocado dentro de uma lata de alumínio e levado ao laboratório, onde a lata é aberta e o conjunto é colocado na estufa para secar por 24 horas, a uma temperatura de, aproximadamente, 105ºC.

Decorrido esse tempo, retira-se o conjunto da estufa, pesando-o em seguida. O solo seco é descartado e pesa- se novamente a lata com a tampa e o anel usado na amostragem. Pela diferença entre a primeira e a segunda pesagens, obtém-se o peso do solo seco.

Evapotranspiração de Referência (Eto)

As plantas absorvem água do solo por meios das raízes. Nas plantas, a água é conduzida até pequenos orifícios, localizados nas folhas, denominados estômatos, onde é transferida para a atmosfera na forma de vapor d’água. Este processo é chamado de transpiração.

A evapotranspiração é o processo que associa a transferência de água do solo e da planta para a atmosfera. Ela representa, na prática, o consumo de água por uma cultura, geralmente, expressa em milímetro por dia (mm/dia). Ela é maior nas regiões de temperatura elevada, umidade relativa baixa e ventos moderados a fortes, podendo chegar a 10 mm de água evapotranspirada por dia.

Há vários métodos para se determinar a evapotranspiração e a maioria deles estima a evapotranspiração potencial, ou seja, aquela que ocorre quando não há deficiência de água no solo que limite seu uso pelas plantas. Mas, como é de se esperar, em razão das características próprias de cada cultura, a evapotranspiração potencial varia de cultura para cultura. Assim sendo, verificou-se a necessidade de definir a evapotranspiração potencial para uma cultura de referência e, a partir daí, estimar a evapotranspiração da cultura de interesse.

Coeficiente da Cultura

O coeficiente da cultura (Kc) é a relação entre a evapotranspiração da cultura (ETc) e a evapotranspiração de referência (Eto).

De maneira geral, o ciclo das culturas anuais (melão, melancia, entre outros) pode ser subdividido em quatro fases, também chamado de estádios. O estádio I, também chamado de inicial, vai da semeadura até a cultura cobrir aproximadamente 10% da área cultivada. O estádio II, ou fase de desenvolvimento, tem início no final do estádio I e dura até a cultura cobrir, aproximadamente, 80% da área cultivada. O estádio III, corresponde à fase de produção, iniciando-se no final do estádio II e dura até as primeiras folhas da cultura começarem a secar. A partir daí, inicia-se o estádio IV, ou fase de maturação, que vai até a colheita. A duração dessas fases depende da cultura, da variedade, entre outros.

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Por Andréa Oliveira

 

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