Erosão: processo que desgasta e empobrece os solos

04/03/2017 01:10

Perda da camada superficial do terreno, perda de nutrientes, baixa capacidade de produzir e empobrecimento dos agricultores, são alguns prejuízos causados pela erosão

 

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A erosão é o processo responsável pelo desgaste e empobrecimento dos solos agrícolas, reduzindo a produtividade das culturas e exigindo cada vez mais o uso de adubos e corretivos. Embora seja um processo natural, ele culmina na perda progressiva do solo com a intervenção humana. Trata-se de um processo tão antigo quanto a Terra e é de grande importância para a formação da paisagem e para o rejuvenescimento dos solos.

“É um processo natural que se torna um problema, quando é acelerada em níveis danosos ao ambiente. Houve uma aceleração do processo erosivo dos solos com a ocupação humana na superfície da Terra, agravado ainda mais com o início das práticas da agricultura e pecuária. Esse processo foi se tornando cada vez mais pernicioso, a ponto de o homem sentir a necessidade de seu controle”, afirma Dr. Caetano Marciano de Souza, professor do Curso a Distância CPT Técnicas Mecânicas de Conservação de Água e Solo, em livro+DVD e Curso Online, da área Meio Ambiente.

A erosão acelerada é um fenômeno de grande importância, em razão da rapidez com que se processa e por acarretar grandes prejuízos não só para a exploração agropecuária, mas também para diversas outras atividades econômicas e para o próprio ambiente. Como consequência da erosão, há a perda da camada superficial do terreno, parte dessa considerada a mais importante para as lavouras e pastagens. Além disso, há uma expressiva perda de nutrientes que torna a terra pobre, sem vida e com baixíssima capacidade de produzir. Podemos citar ainda o empobrecimento dos agricultores, já que a erosão tende a desvalorizar as propriedades.

Problemas socioambientais causados pela erosão dos solos


A erosão desencadeia uma série de problemas socioambientais: enchentes, como resultado da menor infiltração de água no solo e maior escoamento superficial; mortes de espécies da flora e fauna por causa do assoreamento dos rios; e danos econômicos significativos. Devemos destacar também a contaminação dos recursos hídricos, uma vez que a água que não infiltra no solo carrega consigo matéria orgânica e possivelmente produtos químicos, tais como fertilizantes, agrotóxicos e corretivos, contaminando os rios e riachos. Esse fato demanda atenção da sociedade, já que a água consumida provém desses lugares. A erosão pode, em casos extremos, inviabilizar o cultivo do solo, quando vai além da superfície e atinge maiores profundidades.

As voçorocas


A erosão pode atingir níveis elevados, a ponto de inviabilizar a utilização agrícola da área erodida, especialmente, quando ocorrem sulcos com mais de um metro de profundidade, chamados de voçorocas, que literalmente impedem o trânsito de máquinas e o cultivo do solo. No Brasil, são perdidos mais de 500 milhões de toneladas de terra todos os anos (Bertoni e Lombardi Neto).

Características iniciais do processo de erosão dos solos


O processo erosivo inicia-se sempre de forma sutil pela chamada lixiviação, que nada mais é que a desagregação das partículas superficiais do solo, junto com os sais minerais e os nutrientes, deixando o solo desprotegido e vulnerável à ação da força das chuvas e dos ventos. Em seguida, aparecem os chamados sulcos, que são rasgos no solo.

A importância da vegetação para impedir a erosão dos solos


A vegetação tem um importante papel na proteção do solo, já que diminui a força cinética da chuva. As folhas formam uma barreira e fazem com que as gotas de água caiam sobre o solo com menos força e consequentemente reduzem a velocidade do escoamento superficial, fator determinante da erosão hídrica. Os deslizamentos também são controlados pelas plantas, pois suas raízes agem como uma rede, agregando-se ao solo e absorvendo parte da água que nele cai.

Como impedir a erosão dos solos


Práticas como a monocultura, plantio morro abaixo e manejo incorreto do solo para cultivo aceleram o processo erosivo. Dessa forma, a saída para controlar a erosão é usar o solo de acordo com suas capacidades e adotar práticas que contornem esse processo de degradação.

Práticas que controlam a erosão dos solos


Existem práticas que visam ao controle da erosão. São elas: edáficas, vegetativas e mecânicas. As práticas edáficas promovem controle da erosão e melhoria da fertilidade do solo através da modificação da forma de cultivo dele. Podemos citar a adubação verde e a orgânica, a seleção das áreas de cultivo, considerando o que o solo pode suportar e o controle do fogo. Nas práticas vegetativas, usa-se a própria vegetação para defender o solo da erosão. Entram nessa categoria o reflorestamento, a pastagem, a alternância de capinas e roçagem do mato e as culturas em faixas. Quando se recorre às estruturas artificiais construídas pelo homem, temos as práticas mecânicas. Nelas, entram o preparo e plantio em contorno, os sulcos, as bacias de captação de águas pluviais provenientes de estradas, e o terraceamento.

Essas práticas, se usadas em conjunto, aumentam a sua funcionalidade devendo, portanto, ser evitado o uso isolado destas. Além disso, se usadas adequadamente, serão eficientes no controle da erosão e aumentarão a produtividade da cultura apontando para um desenvolvimento sustentável.

Associado ao crescimento da população humana, tem-se a necessidade de aumentar a produtividade das culturas e isso sempre foi feito com os meios disponíveis. Hoje, mais do que nunca, busca-se produzir com altíssima qualidade e isso tem despertado a consciência ecológica dos produtores e dos consumidores, que buscam produtos de melhor qualidade, produzidos de maneira a respeitar o meio ambiente, em especial a conservação do solo e da água.

A importância de práticas conservacionistas na exploração do solo


A falta de controle do processo erosivo pode culminar na degradação da área explorada. Uma exploração agrícola ou pecuária que não adote práticas conservacionistas acelera o processo de empobrecimento do solo, resultando em gastos elevados para o produtor e consequente desvalorização de sua propriedade. É importante ressaltar que a fina camada superficial que se refere ao solo agrícola levou, muitas vezes, milhares de anos para ser formada e que os processos erosivos que a degradam, como o vento e a água, podem levar um curto espaço de tempo para desgastá-la.

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Por Silvana Teixeira.

 

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