Conservação da água das chuvas para a lavoura do café - excelente alternativa para os agricultores.

14/10/2014 10:00

Esta dica foi enviada pelo Engº Agrônomo Alexandre Miranda Leão Teixeira. CREA 102109/D

Fonte:

Artigo enviado por:

Agrônomo: Alexandre Miranda Leão Teixeira. CREA 102109/D

http://www.cafepoint.com.br/noticias/mercado/conservacao-da-agua-das-chuvas-para-a-lavoura-do-cafe-43826n.aspx

Todos fazem comentários sobre os prejuízos causados pela seca, mas fica sempre uma pergunta em questão? Será que estamos aproveitando a água da chuva ou estamos o tempo todo desperdiçando este patrimônio da natureza.

Acredito fielmente que há várias soluções para este problema fora a irrigação, é nossa obrigação cuidarmos e aproveitarmos da água nos dada pela chuva. Temos que quebrar conceitos na técnica de produção e avaliarmos maneiras para mantermos esta água no solo por muito tempo.

Em vez de ficarmos lamentando pelas mudanças climáticas, vamos aproveitar toda a água nos dada pela chuva. Existem formas e maneiras para a solução deste problema basta largar o tradicionalismo e a mesmice e trabalharmos de forma racional e inovadora.

Estas fotos são de uma lavoura de 2 anos onde foi utilizado gesso agrícola. Houve um chegamento de terra até o colo da planta e depois o manejo da braquiária diminuindo o impacto das chuvas e do sol.

O gesso serve como uma caixa d' água protegendo a evaporação da água das chuvas diminuindo a temperatura das radicelas, leva as raízes para baixo permitindo que encontre água no perfil mais baixo do solo, e traz a água do lençol freático um pouco mais para perto das radicelas. No caso da braquiária, cria-se uma cobertura que será roçada e espalhada em cima do gesso e do chegamento de terra. A braquiária também é adubada, pois aqui é um solo bem fraco. Se não fizer isso ela não desenvolve uma palhada suficiente para cobertura.

As fotos foram tiradas no período mais crítico da seca, logo após a florada, na Fazenda Curimba, em São Roque/MG. A última foto mostra o ótimo desenvolvimento radicular desta lavoura.

 

 

Já as figuras a seguir, são retratos recentes de uma lavoura de Santo Antônio do Amparo, em Minas Gerais. Vejam a diferença quando comparados manejo e produção "com" e "sem" gesso. As lavouras possuem mesma idade e mesma condição de solo. A diferença de uma para outra é que, além da aplicação de gesso, também foi feito chegamento de terra e manejo da braquiária na lavoura "com" gesso.

Produção de lavoura "sem" gesso:

Produção de lavoura "com" gesso:

Manejo de lavoura "sem" gesso:

Manejo de lavoura "com" gesso:

 

Alguns comentários retirados do site e gerados pelo artigo:

http://www.cafepoint.com.br/noticias/mercado/conservacao-da-agua-das-chuvas-para-a-lavoura-do-cafe-43826n.aspx

Robledo Rene de Moraes

Belo Horizonte - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 28/03/2008

Achei muito bom o texto e a experiência com o manejo do mato e do gesso. São iniciativas dessas que podem mudar o nosso conceito de agricultura, pois sempre fazemos o que sempre foi feito há anos, sem coragem e nem estímulo para mudar nossas práticas agrícolas. Gostaria que o autor discorresse mais sobre como aproveitar mais a água do verão e como ele faz para não deixar o braquiária prejudicar os cafés mais novos. Parabéns pela prática e pelo texto.

 

Alexandre Miranda Leão Teixeira

Varginha - Minas Gerais - Consultoria/extensão
postado em 01/04/2008

Boa tarde Sr. Robledo,

Agradecido pelas palavras, com certeza temos que quebrar paradigmas e conceitos ultrapassados, precisamos de soluções inovadoras e eficazes para vencer os intempéries do clima.

Olha, este trabalho iniciou-se à mais ou menos 9 anos atrás, quem teve a iniciativa foi o Engº Agrônomo chamado Alessandro C. Oliveira da cidade de Pinhuí/MG que começou a observar os estudos do conceituado e experiente Engº Agrônomo José Peres Romero a respeito do uso do gesso agrícola nas lavouras cafeeiras da região.

O Engº Agrônomo Alessandro C. Oliveira primeiramente observou que o pegamento da florada da sua região estava em declínio, pois o déficit hídrico era muito grande entre abril a setembro (meses que definem a florada). Precisava-se fazer algo para driblar este problema. Foi atrás de várias formas para amenizar o impacto causado pela falta de chuva nestes meses, pensou em fazer uso da irrigação mais não tinha água o suficiente em sua região, então foi atrás de conceitos quase que ignorados pelos técnicos que é a capacidade de retenção de água do gesso agrícola.

Fez-se testes em sua primeira propriedade cuja lavouras acabaram de ser plantadas, aplicou-se o gesso após o plantio do café em doses altas de 6 a 12 kg por metro, na linha do cafeeiro, formando uma camada grossa, houve também o plantio da Braquiária afim de proteger esta camada com a cobertura seca após a roçada.

Aí nas andanças dele pela região do Sul de Minas observou estudos sobre chegamento de terra no colo do cafeeiro como proteção das radicelas e associou-se este sistema também ao que foi introduzido em sua propriedade e observou que fecharia este sistema com chave de ouro.

Então os processos adotados foram:

1º Plantio das mudas
2º Utilização do gesso
3º Chegamento de terra
4º Proteção com a cobertura seca da Braquiária.

Isto também está associado às boas práticas de adubação de solo e foliar, dando ao solo e a planta nutrientes balanceados para sua produção.

 

Alexandre Miranda Leão Teixeira

Varginha - Minas Gerais - Consultoria/extensão
postado em 01/04/2008

....continuando.

Sr. Robledo, respondendo a sua pergunta, foi observado que a braquiária não causava tanto dano as plantas no meio da rua dos cafezais entretanto na linha pode sim concorrer com a planta, causando problemas por sufocamento, falta de nutrientes e água.

Na época das chuvas a braquiária aumenta seu volume, mas são realizadas roçadas alternadas (rua sim, rua não) para injetar luz e não causar danos por sufocamento. Nesta propriedade é feita adubação em área total pois a braquiária devolve todos os nutrientes após a roçada.

Por meio deste sistema, reteremos a água desperdiçada pela chuva, levaremos as radicelas para baixo fazendo com que busque a água contida no subsolo, diminuiremos o impacto do sol nas mortes das raízes, diminuiremos erosões, a cobertura seca amortece o impacto da chuva suavizando a absorção pelo solo é como se fosse uma esponja em cima da superfície e o chegamento de terra melhorou o engrossamento do caule e protegeu as radicelas contra o aquecimento do solo fazendo uma proteção entre a superfície e as raízes.

Este sistema é muito complexo, a fazenda está a disposição para quem quiser visitar, temos também campo experimental em Santo Antônio do Amparo/ MG. Se caso não respondi todas suas perguntas fico a disposição para maiores esclarecimentos.

Atenciosamente,
Alexandre Miranda Leão Teixeira
alexandremiranda@mwmail.com.br

 

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